E está tocando samba. Um samba moderno, mas não deixa de ser samba. Não ouço samba, não compro CDs de samba, não ganho CDs de samba, não tenho CDs de samba; mas esse bar é tão bom. O bar tem samba, e eu não gosto de samba. Mas o bar tem cerveja, tem cigarro, gente bonita e seus risos, tem alegria. Tem energia, pessoas extraordinárias frequentam o bar, gente com essência. Chego até a gostar do samba.
Antônio Prata comentou que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando levamos moça ou outra pra sair, pra namorar, levamos em lugar fino, onde o prato é caro só porque o nome é esquisito. Alguns têm até gosto de cocô, eu digo, mas o lugar é chique. Meio intelectual, meio de esquerda, gosto mesmo é de ser meio vagabundo. Não vou querer sair daqui se aqui tem a melhor batata frita da cidade. Melhor até que de bar chique, porque existe bar chique. Chatos que só eles, cheios de gente metida e quase uma passarela de desfile de moda. Bar assim não tem a mão da tia, não tem o carinho. Dá vontade até de ir lá na cozinha fatiar a batata e jogar conversa fora de tão em casa que a gente se sente. Bar é lindo!
Mas o bar em si de belo não tem nada. A decoração praiana em pleno centro da cidade até que é atraente, mas tem mesas, cadeiras e gente, como todo bar qualquer. Chega até a ter samba, forró. Mas e o que é que tem? É lindo.
Assim é o amor.
Pode não ser o bar mais bonito, pode não ser o bar mais popular. Dia ou outro pode não ser tão emocionante como se esperava. Pode até ser prejudicial no caso de uma bebedice exagerada. Tem vez que chega-se a jurar nunca mais entrar no bar. A saudade dói quando a grana falta. Pode ter samba, forró, isso ou aquilo, mas o bar sempre estará lá e sempre será aquele mesmo bar: lindo e repleto de bem-estar. E toda vez que se passa em frente dá vontade de entrar pra tomar uma cervejinha.
Suelen é meu bar.
Blumenau, 27/08/2008.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
A Afinidade
É tão curiosa a afinidade entre seres humanos. Me emociona escrever esta frase. Hoje um fato inusitado me ocorreu:
- Que bom encontrar você, menina misteriosa que tanto admiro.
- Puxa, assim até fico encabulada. Mas você também é um tanto misterioso. Dá aquela vontade de desvendar.
- Uau! Aí está algo que nunca me haviam dito antes.
- Imagina. Uma vez estava observando você costurar um patch na sua jaqueta. Rapaz prendado. Em outra ocasião fiquei a ouvi-lo cantar na casa de uma amiga. Sabe quando bate aquela vontade de conhecer?
- Nossa! Você estava lá? Minha vez de ficar encabulado. Não sabia dessas cosias. Faz tanto tempo! Mas também sempre tive vontade de te conhecer.
- Legal! Então é recíproco.
Ah, e é mesmo. Mas isto é muito curioso, como vinha dizendo. Não sei quase nada a seu respeito. Tudo o que sei é que não tem nada a ver comigo. Ela gosta de coisas antigas. Veste paletó, no maior estilo anos 60 e aprecia o bom e velho rock'n roll com influências do punk setentista. Sou tão contrário a ponto de ser vocalista de uma banda que toca um som que sequer é difundido no Brasil. A arte mais antiga que aprecio - você já sabe - são as crônicas de Rubem Braga dos anos 30, principalmente. E ele era um boêmio que gostava de samba. A única coisa que eu e ela temos em comum é a apreciação pela leitura. Mas, provavelmente, não lemos as mesmas coisas.
Então, de onde vem isto, esse anseio todo em conhecê-la? Até propus um dia sentarmos para conversar. Isso antes de cair a ficha: o que direi a ela? Mas adoraria tê-la aqui ao meu lado no bar.
Continuo me fazendo a mesma pergunta. Talvez seja apenas curiosidade, mas duvido plenamente. Dizem por aí que os opostos se atraem. Não sei. Acho uma bobagem que criaram a partir da Física, ou de pilhas alcalinas.
(...)
Mas espere. Deixe-me tentar um exemplo:
Suponho marido e mulher. Se preparam para ir à uma festa de aniversário. E são muito parecidos em personalidade. Calmos. Serenos. A mulher se demora a passar o batom enquanto o homem tranquilamente se ajeita no sofá a trocar os canais sem o menor interesse. Apenas esperando o tempo passar. Quando ela termina, pega o presente e chama o marido: Vamos? E chegam atrasados à festa. Ao contrário disso, a mulher borra a maquiagem assustada com o chamado ansioso do marido já perturbado: Anda logo, criatura! Ambos saem correndo, chegam na festa a tempo, mas esquecem o presente.
Já em outro caso a mulher calmamente se arruma enquanto o homem em agonia buzina da garagem com o carro já ligado. Ela pega o presente e ambos chegam a tempo na festa.
Que coisa!
Blumenau, 15/10/2007.
- Que bom encontrar você, menina misteriosa que tanto admiro.
- Puxa, assim até fico encabulada. Mas você também é um tanto misterioso. Dá aquela vontade de desvendar.
- Uau! Aí está algo que nunca me haviam dito antes.
- Imagina. Uma vez estava observando você costurar um patch na sua jaqueta. Rapaz prendado. Em outra ocasião fiquei a ouvi-lo cantar na casa de uma amiga. Sabe quando bate aquela vontade de conhecer?
- Nossa! Você estava lá? Minha vez de ficar encabulado. Não sabia dessas cosias. Faz tanto tempo! Mas também sempre tive vontade de te conhecer.
- Legal! Então é recíproco.
Ah, e é mesmo. Mas isto é muito curioso, como vinha dizendo. Não sei quase nada a seu respeito. Tudo o que sei é que não tem nada a ver comigo. Ela gosta de coisas antigas. Veste paletó, no maior estilo anos 60 e aprecia o bom e velho rock'n roll com influências do punk setentista. Sou tão contrário a ponto de ser vocalista de uma banda que toca um som que sequer é difundido no Brasil. A arte mais antiga que aprecio - você já sabe - são as crônicas de Rubem Braga dos anos 30, principalmente. E ele era um boêmio que gostava de samba. A única coisa que eu e ela temos em comum é a apreciação pela leitura. Mas, provavelmente, não lemos as mesmas coisas.
Então, de onde vem isto, esse anseio todo em conhecê-la? Até propus um dia sentarmos para conversar. Isso antes de cair a ficha: o que direi a ela? Mas adoraria tê-la aqui ao meu lado no bar.
Continuo me fazendo a mesma pergunta. Talvez seja apenas curiosidade, mas duvido plenamente. Dizem por aí que os opostos se atraem. Não sei. Acho uma bobagem que criaram a partir da Física, ou de pilhas alcalinas.
(...)
Mas espere. Deixe-me tentar um exemplo:
Suponho marido e mulher. Se preparam para ir à uma festa de aniversário. E são muito parecidos em personalidade. Calmos. Serenos. A mulher se demora a passar o batom enquanto o homem tranquilamente se ajeita no sofá a trocar os canais sem o menor interesse. Apenas esperando o tempo passar. Quando ela termina, pega o presente e chama o marido: Vamos? E chegam atrasados à festa. Ao contrário disso, a mulher borra a maquiagem assustada com o chamado ansioso do marido já perturbado: Anda logo, criatura! Ambos saem correndo, chegam na festa a tempo, mas esquecem o presente.
Já em outro caso a mulher calmamente se arruma enquanto o homem em agonia buzina da garagem com o carro já ligado. Ela pega o presente e ambos chegam a tempo na festa.
Que coisa!
Blumenau, 15/10/2007.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Cativantemente Falando
Eu frequento muitos bares. Bar é a parte fundamental do meu ócio perfeito. Tem gente que ocupa o ócio se preocupando, ou melhor, se interessando por vida alheia. Particularmente, me ocupo pensando, ou observando, acompanhado de minhas muitas cervejas e cigarros. Analiso pessoas, psicologicamente falando. Estas formosas senhoritas que me despertam o desejo de as desvendar e acordar seus anseios, defeitos e manias. (Dias atrás descobri que quando avistamos uma pessoa formosa temos o péssimo hábito de projetar nela aquilo que gostaríamos que fosse, e depois que a descobrimos, as vezes nos decepcionamos, nos magoamos, e como se não bastasse acabamos até mesmo colocando a culpa nela). Daria um excelente psicólogo, mas não sou altruísta o suficiente ao ponto de gastar meu cotidiano me ocupando com os problemas dos outros; ocupo-me com os anseios de meus chegados e isso é o bastante.
Observo a musicalidade de gente como Ana, o carisma de gente como Manu, e a simplicidade de gente como Gio, dono de meu bar predileto, o Kaffe Universitat, conhecido entre os amigos frequentadores como KU - fácil entender a carinhosa sátira. Falando neste bar penso em simplicidade; falando em simplicidade penso em Camila. Eis alguém essencialmente cativante. Me pede, no exato momento, um cigarro. Ofereço três, quatro e se precisar adquiro outra carteira para quando quiser mais, porque ela merece. Pense em um sorriso, um abraço capaz de renovar o dia de qualquer ser humano, talvez inclusive de não-humano. Sinceridade capaz de fazer mulherengo feito eu não pensar em segundas intenções. É de uma beleza formidável. Seu rosto fino, penteado moderno, tatuagens e o tipo de lábios perfeitamente delineados a dizer: "Você quer me beijar e eu sei disso". Mas ela não pensa como eu, não pensa como você. Pouco se importa. Vem à minha mesa, vai à mesa de outrém, dança MPB, conversa e cativa a todos aqui e acolá. Eis um extraordinário espírito a fazer bem aos demais. "Por favor, não me leve a mal", não quero que você me queira. Quero apenas que continue esta pessoa maravilhosa que tem sido desde o primeiro dia que a vi.
E que não seja hipócrita feito eu, que agora a desejo bruscamente.
Blumenau, 13/08/2008.
Observo a musicalidade de gente como Ana, o carisma de gente como Manu, e a simplicidade de gente como Gio, dono de meu bar predileto, o Kaffe Universitat, conhecido entre os amigos frequentadores como KU - fácil entender a carinhosa sátira. Falando neste bar penso em simplicidade; falando em simplicidade penso em Camila. Eis alguém essencialmente cativante. Me pede, no exato momento, um cigarro. Ofereço três, quatro e se precisar adquiro outra carteira para quando quiser mais, porque ela merece. Pense em um sorriso, um abraço capaz de renovar o dia de qualquer ser humano, talvez inclusive de não-humano. Sinceridade capaz de fazer mulherengo feito eu não pensar em segundas intenções. É de uma beleza formidável. Seu rosto fino, penteado moderno, tatuagens e o tipo de lábios perfeitamente delineados a dizer: "Você quer me beijar e eu sei disso". Mas ela não pensa como eu, não pensa como você. Pouco se importa. Vem à minha mesa, vai à mesa de outrém, dança MPB, conversa e cativa a todos aqui e acolá. Eis um extraordinário espírito a fazer bem aos demais. "Por favor, não me leve a mal", não quero que você me queira. Quero apenas que continue esta pessoa maravilhosa que tem sido desde o primeiro dia que a vi.
E que não seja hipócrita feito eu, que agora a desejo bruscamente.
Blumenau, 13/08/2008.
sábado, 9 de agosto de 2008
A Essência
Estranhamente, após um ano de cativeiro, novamente esta aflição interior me consome; a dor da alma. Lembro perfeitamente da última vez: estávamos eu e Ricardo - presenteado a mim como um dos irmãos postiços que tenho - sentados à mesa conversando sobre qualquer coisa, quando pagou-me um pastel. Sem razão alguma subitamente lágrimas começam a correr em meu rosto. Assim, como um espirro inusitado às vezes vem. É a dor do mundo que chegou ao ápice, até o ponto onde posso suportar.
Carregar o mundo nas costas não é uma tarefa fácil. O conhecimento e a consciência da essência humana ferem um grande espírito, principalmente em virtude do descaso que dela se faz, ou que talvez não seja percebida. A dor causada pela pressão exercida pela matéria nas profundezas de um oceano é a mesma sentida por filósofos a medida que se busca a profundidade de um pensamento, de uma causa.
Com esta concepção poderia eu já finalizar a idéia e estaria de bom tamanho. Mas partindo deste ponto existem tantas coisas a serem ditas que seria uma ofensa discursar a respeito em apenas uma crônica. Dariam um livro, e para isto seria necessário tempo. Este que penso não ter, pois fui abduzido pela forma de vida atual. Observo as pessoas indo e vindo na loucura de seus automóveis, nos ônibus, cada uma delas preocupadas com seus afazeres passageiros sem pensar em descobrir suas essências ou para que propósito vivem. Tenho tempo para escrever esta crônica até que acabe minha cerveja e então volto ao trabalho. Afinal, preciso do dinheiro para sobreviver. A leitora e o leitor que engulam suas essências mal-mastigadas.
Blumenau, 06/08/2008.
Carregar o mundo nas costas não é uma tarefa fácil. O conhecimento e a consciência da essência humana ferem um grande espírito, principalmente em virtude do descaso que dela se faz, ou que talvez não seja percebida. A dor causada pela pressão exercida pela matéria nas profundezas de um oceano é a mesma sentida por filósofos a medida que se busca a profundidade de um pensamento, de uma causa.
Com esta concepção poderia eu já finalizar a idéia e estaria de bom tamanho. Mas partindo deste ponto existem tantas coisas a serem ditas que seria uma ofensa discursar a respeito em apenas uma crônica. Dariam um livro, e para isto seria necessário tempo. Este que penso não ter, pois fui abduzido pela forma de vida atual. Observo as pessoas indo e vindo na loucura de seus automóveis, nos ônibus, cada uma delas preocupadas com seus afazeres passageiros sem pensar em descobrir suas essências ou para que propósito vivem. Tenho tempo para escrever esta crônica até que acabe minha cerveja e então volto ao trabalho. Afinal, preciso do dinheiro para sobreviver. A leitora e o leitor que engulam suas essências mal-mastigadas.
Blumenau, 06/08/2008.
sábado, 2 de agosto de 2008
UMA VELA NA JANELA
Ora. O fim do ano. É chegada a hora de pegar caneta e papel e fazer a famosa listinha do que quer conquistar no próximo ano. E do que quer abandonar também.
Mas tem quem viva do passado. A adolescente que folheia o diário onde registrou todas as paixões do ano; algumas talvez ela nem lembre. O sábio chefe de lar reúne a família para uma retrospectiva, igual a da Globo. O presidiário que, deitado olhando o teto, entrelaça os dedos das mãos sob a nuca e relembra as mesmas coisas do ano passado. Seu Nestor, da loja de discos, todo ano coloca uma vela na janela e, ouvindo o solo de saxofone de "Long as I Can See the Light", relembra os shows do Creedence. Ele gosta de dizer que viajou mil e seiscentas milhas em um ônibus para chegar ao Woodstock de 69; e de como os americanos pronunciavam seu nome em paroxítona. Às vezes o chamo assim.
Essas listas podem ser extensas ou suprimidas. As extensas são cheias de coisas pequenas e funcionais que fazem o mundo andar, progredir, crescer. As suprimidas vêm com dois ou três itens capazes de mudar a história da humanidade. Há os que enfiam os pés pelas mãos e os que acreditam não serem capazes de muito. Entretanto, todos somos sonhadores.
Jovens universitários calculam quantas manifestações se é possível realizar em doze meses. Casais planejam unir-se em matrimônio. Idosos desejam tão somente morrer. Crianças prometem estudar bastante para não se dar mal no fim do ano, embora só o façam nos primeiros meses - depois o que mais importa são o recreio e as aulas de Educação Física. Homens trabalharão arduamente para terminarem a construção de suas casas. Artistas se sacrificarão para obterem sucesso - outros nem tanto pelo sucesso; artistas essenciais. Atletas ultrapassarão seus próprios limites. Cientistas e arqueólogos descobrirão. Espiritualistas livrar-se-ão da mente. E cristãos levarão a mensagem de Jesus Cristo, lembrado no domingo de Natal, esquecido da segunda-feira de trabalho.
Minha lista, porém, é um tanto estranha. Nem ao certo uma lista é. Pois é singular, singela, eu diria. A lista de um item, sem rodeios, seria: um beijo da brasiliense florianopolitana da voz de menina.
Publicada no Jornal de Santa Catarina. Blumenau, 28/12/2005.
Mas tem quem viva do passado. A adolescente que folheia o diário onde registrou todas as paixões do ano; algumas talvez ela nem lembre. O sábio chefe de lar reúne a família para uma retrospectiva, igual a da Globo. O presidiário que, deitado olhando o teto, entrelaça os dedos das mãos sob a nuca e relembra as mesmas coisas do ano passado. Seu Nestor, da loja de discos, todo ano coloca uma vela na janela e, ouvindo o solo de saxofone de "Long as I Can See the Light", relembra os shows do Creedence. Ele gosta de dizer que viajou mil e seiscentas milhas em um ônibus para chegar ao Woodstock de 69; e de como os americanos pronunciavam seu nome em paroxítona. Às vezes o chamo assim.
Essas listas podem ser extensas ou suprimidas. As extensas são cheias de coisas pequenas e funcionais que fazem o mundo andar, progredir, crescer. As suprimidas vêm com dois ou três itens capazes de mudar a história da humanidade. Há os que enfiam os pés pelas mãos e os que acreditam não serem capazes de muito. Entretanto, todos somos sonhadores.
Jovens universitários calculam quantas manifestações se é possível realizar em doze meses. Casais planejam unir-se em matrimônio. Idosos desejam tão somente morrer. Crianças prometem estudar bastante para não se dar mal no fim do ano, embora só o façam nos primeiros meses - depois o que mais importa são o recreio e as aulas de Educação Física. Homens trabalharão arduamente para terminarem a construção de suas casas. Artistas se sacrificarão para obterem sucesso - outros nem tanto pelo sucesso; artistas essenciais. Atletas ultrapassarão seus próprios limites. Cientistas e arqueólogos descobrirão. Espiritualistas livrar-se-ão da mente. E cristãos levarão a mensagem de Jesus Cristo, lembrado no domingo de Natal, esquecido da segunda-feira de trabalho.
Minha lista, porém, é um tanto estranha. Nem ao certo uma lista é. Pois é singular, singela, eu diria. A lista de um item, sem rodeios, seria: um beijo da brasiliense florianopolitana da voz de menina.
Publicada no Jornal de Santa Catarina. Blumenau, 28/12/2005.
domingo, 27 de julho de 2008
ANA
Fora apenas para retomar a brincadeira com os amigos que a cumprimentei, como faziam todos os rapazes a flertar quando uma bela senhorita resolvia dar o ar de sua graça. Mas o simples "oi" deu resultado à uma das maiores relações que já tive com qualquer moça. E tudo aconteceu tão rapidamente.
Começamos a nos corresponder e Ana logo de cara tornou-se um dos objetos que sustentam minha mania: a de estudar psicologicamente as pessoas. Detalhista e perfeccionista, porém, desorganizada e preguiçosa, com empenho apenas para cozinhar. E como adora! Sempre comendo. Magricela de ruim, a danada. Sempre querendo vencer em tudo, ser melhor, ser especial, ser única, embora não invista muito esforço para tal. As vezes sua obsessão (ou "obcessão", também poderia ser, e não o é pois nossa língua é de uma burrice descomunal. Mas isso é coisa nossa) beira o ridículo e a faz parecer patética. Nessas ocasiões ponho em mim um sorriso circunspecto no rosto e penso em como ela fica bonita quando implora por um agrado. E eu dou.
Em nossas primeiras conversas logo pude notar o quanto ela se identificava com Andreas, guitarrista de minha banda, a quem trato como irmão. Listei suas melhores qualidades, embrulhei pra presente com cuidado e pus-me a ajudar o cupido. Apresentei a ele, por primeiro, um vídeo que mostrava os alvos que Ana acertava com chumbinho a mais de 20 metros de distância; e dentre eles um grampo de roupa preso ao varal. Andreas é fascinado por armas de fogo, exército, guerras, destruição e todas essas coisas desprezíveis que faz do ser humano o ser inteligente mais burro que pisa na face da Terra. E ele a desdenhou, sabe-se lá por qual razão - talvez por atirar melhor, penso.
Mas continuei em meu esforço. Uma foto de Ana, de costas, mostrando seu lindo corpo esguio empunhando um rifle de calibre 12 possivelmente o faria cair da cadeira! Entretanto, nada. Em minha última cartada uma belíssima foto em que ela joga os cabelos. Tão sedutor quanto um comercial de xampu: "Não é tão bonita assim...", faz descaso. Bom, minha vontade era socá-lo, mas pensei em algo melhor. Depois de alguns minutos até resolveu perguntar quem era a moça mas já era tarde. Eu já queria que ele fosse tomar banho na soda. Nada mais apropriado conquistá-la e o fazer morrer de inveja. Isso o faria aprender a nunca mais tratar uma dama deste modo.
A beijei no dia 25 de junho, e não poderia ter recebido melhor presente. Detesto todos os meus aniversários, inclusive os que estão por vir. Não dou a mínima. No ano passado só fui lembrar que estava de aniversário ao colocar a data numa crônica, a caminho do trabalho. Presenteei a mim mesmo com minha crônica favorita em todos esses anos escrevendo. Será ótimo lembrar deste dia no ano que vem. Parecíamos tão adolescentes naquele ponto de ônibus que chegaram a comentar em elogios.
Começamos, então, a nos apegar. Ana hoje diz que em 2 meses ultrapassei seus ex-namorados em intimidade. Me faz sentir tão especial que esta foi apenas a segunda vez que escrevi uma crônica já sabendo qual seria seu título, o que também a torna especial. Mas isso nos trouxe medo. Ela havia recém saído de um namoro de 3 anos e pretendia apenas se divertir um pouco, vendo em mim uma possibilidade de conseguir isso mantendo, no mínimo, uma boa dose de amor próprio. Quanto a mim, sequer preciso falar. Nasci para ser solteiro e morrerei solteiro. Sou um romântico, um cavalheiro, as mulheres não gostam disso. Sou um admirador do sexo feminino e amo as mulheres. Pertencer à uma só mulher seria como ouvir uma música de apenas um acorde. Me vejo como um refúgio onde as mulheres vêm e vão e não tenho problema algum com isso. Recebem sua quantidade necessária de carinho e atenção e então voltam para seja lá o que for que as atrai nos outros homens.
Quando conseguimos uma oportunidade, Ana e eu nos resolvemos como pessoas adultas e o peso do medo de magoar ao outro nos foi tirado das costas. Esse medo vem do imenso carinho que sentimos um pelo outro. Somos de uma curiosidade tão grande que sequer nós mesmos conseguimos conceituar. Vamos desde o auge do prazer sexual em fazer coisas que nunca fizemos com outros a chorar de emoção quando disse que ela é "especial pra mim por todo o conjunto da obra. Desde suas qualidades mais discretas até seus defeitos mais marcantes". Gosto de como ela confia em mim e de quando ela quer me agradar. Como quando usou uma roupa sensual no dia de nosso show porque eu era digno de andar pra lá e pra cá com uma mulher linda - adoraria ter visto a cara de Andreas quando ela chegou se conseguisse tirar os olhos de suas curvas. Mas gosto também de cuidar dela e de como nos desentendemos a todo tempo. Eu e Ana somos assim: solteiros. Mas nós colocamos a Promiscuidade em xeque.
Blumenau, 27/07/2008.
Começamos a nos corresponder e Ana logo de cara tornou-se um dos objetos que sustentam minha mania: a de estudar psicologicamente as pessoas. Detalhista e perfeccionista, porém, desorganizada e preguiçosa, com empenho apenas para cozinhar. E como adora! Sempre comendo. Magricela de ruim, a danada. Sempre querendo vencer em tudo, ser melhor, ser especial, ser única, embora não invista muito esforço para tal. As vezes sua obsessão (ou "obcessão", também poderia ser, e não o é pois nossa língua é de uma burrice descomunal. Mas isso é coisa nossa) beira o ridículo e a faz parecer patética. Nessas ocasiões ponho em mim um sorriso circunspecto no rosto e penso em como ela fica bonita quando implora por um agrado. E eu dou.
Em nossas primeiras conversas logo pude notar o quanto ela se identificava com Andreas, guitarrista de minha banda, a quem trato como irmão. Listei suas melhores qualidades, embrulhei pra presente com cuidado e pus-me a ajudar o cupido. Apresentei a ele, por primeiro, um vídeo que mostrava os alvos que Ana acertava com chumbinho a mais de 20 metros de distância; e dentre eles um grampo de roupa preso ao varal. Andreas é fascinado por armas de fogo, exército, guerras, destruição e todas essas coisas desprezíveis que faz do ser humano o ser inteligente mais burro que pisa na face da Terra. E ele a desdenhou, sabe-se lá por qual razão - talvez por atirar melhor, penso.
Mas continuei em meu esforço. Uma foto de Ana, de costas, mostrando seu lindo corpo esguio empunhando um rifle de calibre 12 possivelmente o faria cair da cadeira! Entretanto, nada. Em minha última cartada uma belíssima foto em que ela joga os cabelos. Tão sedutor quanto um comercial de xampu: "Não é tão bonita assim...", faz descaso. Bom, minha vontade era socá-lo, mas pensei em algo melhor. Depois de alguns minutos até resolveu perguntar quem era a moça mas já era tarde. Eu já queria que ele fosse tomar banho na soda. Nada mais apropriado conquistá-la e o fazer morrer de inveja. Isso o faria aprender a nunca mais tratar uma dama deste modo.
A beijei no dia 25 de junho, e não poderia ter recebido melhor presente. Detesto todos os meus aniversários, inclusive os que estão por vir. Não dou a mínima. No ano passado só fui lembrar que estava de aniversário ao colocar a data numa crônica, a caminho do trabalho. Presenteei a mim mesmo com minha crônica favorita em todos esses anos escrevendo. Será ótimo lembrar deste dia no ano que vem. Parecíamos tão adolescentes naquele ponto de ônibus que chegaram a comentar em elogios.
Começamos, então, a nos apegar. Ana hoje diz que em 2 meses ultrapassei seus ex-namorados em intimidade. Me faz sentir tão especial que esta foi apenas a segunda vez que escrevi uma crônica já sabendo qual seria seu título, o que também a torna especial. Mas isso nos trouxe medo. Ela havia recém saído de um namoro de 3 anos e pretendia apenas se divertir um pouco, vendo em mim uma possibilidade de conseguir isso mantendo, no mínimo, uma boa dose de amor próprio. Quanto a mim, sequer preciso falar. Nasci para ser solteiro e morrerei solteiro. Sou um romântico, um cavalheiro, as mulheres não gostam disso. Sou um admirador do sexo feminino e amo as mulheres. Pertencer à uma só mulher seria como ouvir uma música de apenas um acorde. Me vejo como um refúgio onde as mulheres vêm e vão e não tenho problema algum com isso. Recebem sua quantidade necessária de carinho e atenção e então voltam para seja lá o que for que as atrai nos outros homens.
Quando conseguimos uma oportunidade, Ana e eu nos resolvemos como pessoas adultas e o peso do medo de magoar ao outro nos foi tirado das costas. Esse medo vem do imenso carinho que sentimos um pelo outro. Somos de uma curiosidade tão grande que sequer nós mesmos conseguimos conceituar. Vamos desde o auge do prazer sexual em fazer coisas que nunca fizemos com outros a chorar de emoção quando disse que ela é "especial pra mim por todo o conjunto da obra. Desde suas qualidades mais discretas até seus defeitos mais marcantes". Gosto de como ela confia em mim e de quando ela quer me agradar. Como quando usou uma roupa sensual no dia de nosso show porque eu era digno de andar pra lá e pra cá com uma mulher linda - adoraria ter visto a cara de Andreas quando ela chegou se conseguisse tirar os olhos de suas curvas. Mas gosto também de cuidar dela e de como nos desentendemos a todo tempo. Eu e Ana somos assim: solteiros. Mas nós colocamos a Promiscuidade em xeque.
Blumenau, 27/07/2008.
sábado, 26 de julho de 2008
O ENCONTRO
- Oi!
- Oi...
- Você vem sempre aqui?
- Essa é velha, hein?
- É! Realmente. Mas o que você sugere que eu diga? Queria te conhecer.
- Bom, tenho que admitir. Também não consigo pensar em outra coisa mais apropriada.
- Sim, ainda mais num ambiente conturbado como esse. É difícil pensar.
- Ah, gosto daqui.
- Sim, claro, eu também. Não foi isso que quis dizer. Sei lá, quis dizer que não sei muito bem como agir aqui.
- Pega uma vodka e fica zanzando.
- É isso que faço geralmente. Fico cumprimentando os conhecidos e tudo o mais. Mas parece tão fútil.
- Se você diz.
- Você fica sempre aqui? Sentada no balcão?
- Ultimamente. Não tô muito legal.
- Tô incomodando você?
- Não, não.
- Se quiser eu posso ir...
- Não, cara! Volta e senta aí que eu gostei de você.
- Como assim?
- Ah... não gostei, gostei! De gostar. Não é o que você tá pensando.
- Não tô pensando nada.
- Tá, só achei que tivemos uma afinidade, entende?
- Sei do que você tá falando.
- Então. Nem sei porque tô falando com você. Sou bastante fechada.
- Sei como é. As vezes aparece um maluco que a gente se identifica. Vai saber se vamos nos tornar grandes amigos daqui pra frente.
- Pois é.
- Hm... sem querer ser intrometido...
- Larga essas frescuras de educação: desembucha aí, vai. Vamos conversar.
- Tá! Você tá bolada com o quê?
- O de sempre.
- Um cara, né?
- Um cachorro!
- O que rolou?
- Me trocou por uma sirigaita.
- Sirigaita. Engraçado, fazia tempo que não ouvia esse termo.
- Sim! Eu aqui contando meus problemas pra um cara que nem conheço e você pensando em dialeto dos anos 80?!
- Desculpa. Calma. Não vamos ter nossa primeira briga já. Fazem dez minutos que nos conhecemos.
- É, tem razão. Estou um pouco alterada, na verdade. Desculpa!
- Não tem problema. Isso tá te abalando mais que o normal?
- Acho que sim. Não tá sendo muito fácil.
- Eu... posso te abraçar?
- Cara, fazem dez minutos que nos conhecemos!
- É verdade. Só achei que fosse te fazer bem.
- Na verdade faria, mas você só tá querendo me levar pra cama.
- Agora fiquei ofendido!
- Ai! Desculpa de novo. Eu sou uma burra!
- Não, não é. É bom que você pense assim porque tenho que admitir: não se fazem homens como antigamente.
- Mas você não é de antigamente.
- Bom, minha mãe que diz isso!
- Tolinho!
- Seu sorriso é lindo! No início você foi tão grossa que logo arrumei uma desculpa pra ir embora. Sorte que você me puxou de volta.
- Cachorro! Eu pensei que você estava sendo educado!
- Eu pensei que você não seria tão grossa. E "de nada"!
- Ajo assim pra espantar os chatos. Os caras do "você vem sempre aqui?".
- Deus do céu. Nunca mais vou dizer isso na minha vida.
...
- Você é tão diferente dos outros.
- Hã? Por quê diz isso?
- Sei lá. Vejo pelos seus olhos.
- É a primeira vez que alguém diz isso.
- Mas já devia saber. Você mesmo se enquadra numa posição diferente, tratando-os por "eles". Você não se inclui.
- É, na verdade não consigo ter atitudes parecidas com as deles.
- Que tipo de atitudes?
- Ah! Não sei, é muito relativo. Talvez pelo próprio modo de agir mesmo. As conversas típicas sobre mulheres; a perfeita combinação entre carros e cerveja; receber centenas "daqueles" e-mails... nunca recebo nenhum deles. Essas coisas não combinam comigo.
- Viu? Eu disse.
- Uma vez pensei que fosse gay...
- Credo!
- ... mas minha certeza vem da vontade enorme de te dar um beijo agora mesmo.
- Ai...
- Desculpa. Eu não devia ter dito isso.
- Não é isso!
- Que foi?
- É que parece que encontrei o cara mais perfeito do mundo. Acho que se fosse pra rolar algo entre a gente não poderia ser assim. Nem aqui.
- Por quê?
- Ah, tinha que ser na beira da praia, olhando o luar.
- Acho que você anda vendo muita novela.
- Não gosto de novela. Só que tinha que ser um lance mais especial.
- Levanta, então! Vem aqui comigo.
- O que você vai fazer? Ai, meu Deus...
...
- Então. O que você acha?
- Hm, essa não é uma música pra dançar juntinho, mas você tá realizando o sonho da minha vida!
- Esquece essa música.
- Já não penso mais nela, nem nesse lugar, nem nessas pessoas.
- Não é maravilhoso?
- Você é maluco, mas eu nunca havia sentido isso antes.
- Isso é paixão, querida.
- Eu pensei que ela vinha antes disso tudo.
- Uma das mentiras do mundo.
- Nem acredito que isso tá acontecendo!
- Isso é porque ainda não nos beijamos...
...
- Obrigada por essa noite. Foi maravilhosa.
- Eu disse que você precisava de carinho.
- Será que posso ter esse carinho por mais tempo?
- Era tudo o que eu queria ouvir! Vamos. Levo você pra casa.
- Só tem uma coisa!
- Que foi?
- Qual é mesmo seu nome?
- Haha.. Alexandre. E o seu?
- Carla.
- Isso foi... estranho, eu diria.
- Mas muito interessante. Em menos de uma hora conseguimos uma história pra contar pro resto da vida.
- O que? Você já quer casar?
- Engraçadinho.
- Você é linda, sabia?
- Você que é!
- Fala sério! A primeira coisa que vamos fazer é comprar óculos pra você...
- Te amo...
Indaial, 17 de agosto de 2005.
- Oi...
- Você vem sempre aqui?
- Essa é velha, hein?
- É! Realmente. Mas o que você sugere que eu diga? Queria te conhecer.
- Bom, tenho que admitir. Também não consigo pensar em outra coisa mais apropriada.
- Sim, ainda mais num ambiente conturbado como esse. É difícil pensar.
- Ah, gosto daqui.
- Sim, claro, eu também. Não foi isso que quis dizer. Sei lá, quis dizer que não sei muito bem como agir aqui.
- Pega uma vodka e fica zanzando.
- É isso que faço geralmente. Fico cumprimentando os conhecidos e tudo o mais. Mas parece tão fútil.
- Se você diz.
- Você fica sempre aqui? Sentada no balcão?
- Ultimamente. Não tô muito legal.
- Tô incomodando você?
- Não, não.
- Se quiser eu posso ir...
- Não, cara! Volta e senta aí que eu gostei de você.
- Como assim?
- Ah... não gostei, gostei! De gostar. Não é o que você tá pensando.
- Não tô pensando nada.
- Tá, só achei que tivemos uma afinidade, entende?
- Sei do que você tá falando.
- Então. Nem sei porque tô falando com você. Sou bastante fechada.
- Sei como é. As vezes aparece um maluco que a gente se identifica. Vai saber se vamos nos tornar grandes amigos daqui pra frente.
- Pois é.
- Hm... sem querer ser intrometido...
- Larga essas frescuras de educação: desembucha aí, vai. Vamos conversar.
- Tá! Você tá bolada com o quê?
- O de sempre.
- Um cara, né?
- Um cachorro!
- O que rolou?
- Me trocou por uma sirigaita.
- Sirigaita. Engraçado, fazia tempo que não ouvia esse termo.
- Sim! Eu aqui contando meus problemas pra um cara que nem conheço e você pensando em dialeto dos anos 80?!
- Desculpa. Calma. Não vamos ter nossa primeira briga já. Fazem dez minutos que nos conhecemos.
- É, tem razão. Estou um pouco alterada, na verdade. Desculpa!
- Não tem problema. Isso tá te abalando mais que o normal?
- Acho que sim. Não tá sendo muito fácil.
- Eu... posso te abraçar?
- Cara, fazem dez minutos que nos conhecemos!
- É verdade. Só achei que fosse te fazer bem.
- Na verdade faria, mas você só tá querendo me levar pra cama.
- Agora fiquei ofendido!
- Ai! Desculpa de novo. Eu sou uma burra!
- Não, não é. É bom que você pense assim porque tenho que admitir: não se fazem homens como antigamente.
- Mas você não é de antigamente.
- Bom, minha mãe que diz isso!
- Tolinho!
- Seu sorriso é lindo! No início você foi tão grossa que logo arrumei uma desculpa pra ir embora. Sorte que você me puxou de volta.
- Cachorro! Eu pensei que você estava sendo educado!
- Eu pensei que você não seria tão grossa. E "de nada"!
- Ajo assim pra espantar os chatos. Os caras do "você vem sempre aqui?".
- Deus do céu. Nunca mais vou dizer isso na minha vida.
...
- Você é tão diferente dos outros.
- Hã? Por quê diz isso?
- Sei lá. Vejo pelos seus olhos.
- É a primeira vez que alguém diz isso.
- Mas já devia saber. Você mesmo se enquadra numa posição diferente, tratando-os por "eles". Você não se inclui.
- É, na verdade não consigo ter atitudes parecidas com as deles.
- Que tipo de atitudes?
- Ah! Não sei, é muito relativo. Talvez pelo próprio modo de agir mesmo. As conversas típicas sobre mulheres; a perfeita combinação entre carros e cerveja; receber centenas "daqueles" e-mails... nunca recebo nenhum deles. Essas coisas não combinam comigo.
- Viu? Eu disse.
- Uma vez pensei que fosse gay...
- Credo!
- ... mas minha certeza vem da vontade enorme de te dar um beijo agora mesmo.
- Ai...
- Desculpa. Eu não devia ter dito isso.
- Não é isso!
- Que foi?
- É que parece que encontrei o cara mais perfeito do mundo. Acho que se fosse pra rolar algo entre a gente não poderia ser assim. Nem aqui.
- Por quê?
- Ah, tinha que ser na beira da praia, olhando o luar.
- Acho que você anda vendo muita novela.
- Não gosto de novela. Só que tinha que ser um lance mais especial.
- Levanta, então! Vem aqui comigo.
- O que você vai fazer? Ai, meu Deus...
...
- Então. O que você acha?
- Hm, essa não é uma música pra dançar juntinho, mas você tá realizando o sonho da minha vida!
- Esquece essa música.
- Já não penso mais nela, nem nesse lugar, nem nessas pessoas.
- Não é maravilhoso?
- Você é maluco, mas eu nunca havia sentido isso antes.
- Isso é paixão, querida.
- Eu pensei que ela vinha antes disso tudo.
- Uma das mentiras do mundo.
- Nem acredito que isso tá acontecendo!
- Isso é porque ainda não nos beijamos...
...
- Obrigada por essa noite. Foi maravilhosa.
- Eu disse que você precisava de carinho.
- Será que posso ter esse carinho por mais tempo?
- Era tudo o que eu queria ouvir! Vamos. Levo você pra casa.
- Só tem uma coisa!
- Que foi?
- Qual é mesmo seu nome?
- Haha.. Alexandre. E o seu?
- Carla.
- Isso foi... estranho, eu diria.
- Mas muito interessante. Em menos de uma hora conseguimos uma história pra contar pro resto da vida.
- O que? Você já quer casar?
- Engraçadinho.
- Você é linda, sabia?
- Você que é!
- Fala sério! A primeira coisa que vamos fazer é comprar óculos pra você...
- Te amo...
Indaial, 17 de agosto de 2005.
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